Estudo revela que peixes constroem amizades e experimentam emoções

Peixes são animais sensíveis que constroem amizades, experimentam “emoções positivas” e possuem personalidades individuais.

Esta é a conclusão de um estudo pioneiro que descobriu que os peixes-zebra são animais sociais de forma similar aos seres humanos e a outros mamíferos, de acordo com a Royal Society for the Prevention of Cruelty to Animals (RSPCA).

As pessoas que se recusam a comer carne e alegam motivos morais, mas consomem peixes e aquelas que mantêm peixes como animais domésticos devem ter isso em mente, disse Penny Hawkins, chefe do departamento de pesquisa sobre animais da RSPCA.

De acordo com a reportagem do Independent, os pesquisadores descobriram que, ao viverem em grupo, os peixes-zebra experimentam um tipo de conforto social e sentem menos medo quando são confrontados com o perigo.

Esse efeito foi associado a um padrão distinto de ativação cerebral que também ocorre em mamíferos. Hawkins ressaltou que o estudo também acrescentou dados ao crescente número de evidências de que os peixes não devem ser vistos como animais menores.

“Acho que se você pensa que está tudo bem comer qualquer animal, então precisa perceber o que está fazendo. Você está causando a morte de um animal que é sensível e possui experiências e interesses”, disse ela.

Segundo a pesquisadora, a amizade entre os peixes não é idêntica à que ocorre entre humanos.

“Mas se você pensar em amizade em termos de estar com outro indivíduo com os quais está familiarizado e que  procura e lhe despertam emoções positivas, então estas são as amizades dos peixes”, explica.

“Eles não são ornamentos ou brinquedos para as pessoas, são indivíduos sencientes. Há muitas pesquisas sobre personalidades de peixes. Alguns peixes são ousados, alguns são tímidos, há muito mais acontecendo no aquário do que as pessoas acreditavam antes”, completa.

O professor Rui Oliveira, da Universidade ISPA de Lisboa (Portugal), que liderou o estudo, afirmou que a descoberta de que o peixe-zebra compartilha um processo social semelhante no cérebro com seres humanos e mamíferos foi o que tornou a pesquisa tão significativa.

“O que este estudo mostra é, certamente, que eles mudam a maneira como percebem seu ambiente quando outros estão presentes. Isso sugere que eles podem ser cognitivamente mais complexos do que pensávamos originalmente. Talvez por causa disso as pessoas fiquem mais conscientes de suas necessidades e questões de bem-estar. É ótimo se isso ajudar. Há vários mitos sobre peixes como a questão da memória de cinco segundos, como [no filme] Procurando Nemo, o que obviamente é incorreto”, esclarece.

Fonte: Anda

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