Macacos resgatados do tráfico são enviados a laboratório de testes

A empresa que explora e comercializa primatas, Primate Products, Inc. (PPI), foi indiciada por 25 violações no código de proteção aos animais e está sendo investigada pelo Departamento de Agricultura dos EUA. Recentemente, documentos obtidos pela PETA revelaram que os animais transferidos da PPI foram meramente enviados de um inferno para outro. Os registros mostram que 350 macacos saíram da PPI para laboratórios de teste do governo dos EUA, entre fevereiro de 2015 e fevereiro de 2016. Segundo a PETA, foi descoberto que sete desses animais – todos vendidos para o Charles River Laboratories – eram indivíduos cuja situação de extremo sofrimento já havia sido denunciada.

Estes sete macacos de rabo-longo estavam em péssimo estado, antes mesmo de saírem da PPI. De acordo com uma testemunha, uma fêmea estava em observação com uma laceração na cabeça e um estômago distendido. Outro – conhecido apenas pelo número de identificação, #1002178 – tinha um osso exposto na ponta da cauda. Vários meses depois, outro trabalhador observou que o animal tinha uma grande perfuração na bochecha.

A testemunha também conta que um macaco conhecido como #1105019 foi visto caminhando em um ritmo incessante – um sinal de estresse mental. Outro animal tinha a cauda revestida de fezes aguadas e, outro, estressado pelo trauma do cativeiro, estava perseguindo e montando em um macaco, que depois sofreu de um doloroso prolapso retal.

No Charles River, esses seres que já sofrem há muito tempo, provavelmente serão usados em testes arcaicos, dolorosos e mortais para compostos farmacêuticos, pesticidas e diversos químicos – mesmo que esses testes não garantam o uso seguro para humanos, já que 9 entre 10 estudos de medicamentos em animais não têm eficácia em seres humanos.

O laboratório Charles River tem repetidamente mostrado que possui problemas em cooperar com qualquer  regulamentação mínima federal para o bem-estar animal. Em 2009, o estabelecimento foi multado em US$ 10.000  depois que 32 macacos foram assados até a morte nas instalações de Nevada, por conta de um problema no sistema. Em 2011, o laboratório foi multado em U$ 4.000  quando funcionários da mesma instalação esqueceram um macaco dentro de uma gaiola, que passava por uma limpeza com água fervente, escaldando-o até a morte.

Nota da Redação: Infelizmente, o Charles River não é o único laboratório de testes onde acontecem acidentes chocantes como esses. O descaso pela vida dos animais, as condições insalubres e a completa falta de humanidade nos laboratórios é uma situação lamentável que precisa acabar. Já existem diversas alternativas para os testes em animais que provam que esse método arcaico pode ficar no passado. Infelizmente, a justiça permanece cega e a indústria  de testes valoriza visa apenas ao lucro.

Fonte: Anda

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