Polícia investiga venda de cães vira-latas como de raça pela internet

A policia investiga um possível esquema de venda ilegal de animais pela internet em Sorocaba(SP). Segundo a denúncia de vítimas, que preferem não ter os nomes divulgados, uma suspeita chegava até a cortar a orelha dos cachorros vira-latas – que teriam vindo de doações – para vendê-los como sendo de raça em sites de barganha.

A suspeita de praticar os crimes foi intimada e prestou depoimento no 2° Distrito Policial na manhã desta terça-feira (2). A mulher, de 24 anos, afirmou ao G1 que trabalha como diarista e que não vende animais. O próximo passo da investigação é ouvir as vítimas.

O inquérito foi aberto como estelionato após denúncias de uma Organização Não Governamental (ONG) e moradores que compraram os animais. Fotos de animais também serão anexadas ao inquérito.

Filhote foi atendido em ONG de Sorocaba (Foto: Arquivo pessoal)

Segundo moradores que caíram no possível golpe, a venda e negociação dos animais é feita sempre pela internet, em sites ou aplicativos de bate-papo no celular. A entrega era a domicílio, em estacionamentos de supermercados ou até mesmo na casa da vendedora, que fica na Zona Norte de Sorocaba.

Os proprietários só descobriam que os animais não tinham raça definida durante a primeira consulta com o veterinário ou após os cães ficarem doentes. “A história era sempre a mesma e eles acabavam ficando surpresos”, diz o médico veterinário Tiago Gasparini, que, nos últimos dois meses, atendeu seis animais na ONG Fundação Alexandra Schlumberger (FAS). Dois deles, inclusive, chegaram a morrer.

Quadro médico
Segundo a presidente da FAS, Eliana Alegreti, os cães começaram a aparecer no segundo semestre do ano passado. “O número vem crescendo nos últimos meses. Sempre com o mesmo quadro, vindo da mesma criadora e comprados da mesma forma. Isso chamou a nossa atenção.”

Eliana Alegretti, presidente da FAS Sorocaba (Foto: Jomar Bellini / G1)
Representante de ONG afirma que atendimentos
de animais vendidos pela internet aumentaram
nos últimos dois meses (Foto: Jomar Bellini / G1)

O veterinário conta que os cachorros estavam com graves quadros de saúde, possivelmente por conta de maus-tratos. “Eram animais em situações precárias. Alguns com desmame precoce, desnutridos, gastroenterite, com uma situação extremamente precária”, explica ao afirmar que ficou surpreso com o casos. “O que mais surpreendeu foi a sequência de quadros semelhantes.”

Gasparini diz ainda que chegou a constatar microcirurgias nos animas para deixá-los parecidos com animais de raça. “Um deles tinha uma tala para deixar a orelha ereta, outros rabo e orelhas cortados para serem vendidos como chihuahua, pinscher e fila. A pessoa não tem conhecimento de nenhuma técnica de cirurgia.”

A orientação é que os animais sejam adotados de ONGs credenciadas ou de canis licenciados, além de sempre pesquisar sobre os endereços e visitar o local onde eles são criados. “Não é pegar e comprar como uma mercadoria. Quem compra, tem que estar ciente do que está comprando e dos cuidados”, conclui o veterinário.

Animais eram negociados pela internet (Foto: Arquivo Pessoal)
Fonte: G1
, , , , ,